quinta-feira, 15 de março de 2012

O mistério das esculturas no topo do prédio na Rua do Tesouro !

Divulgando mail recebido de amigo, sempre atento ao que anda acontecendo por aí:

O mistério das esculturas...                  On Seg 27/02/12 11:50 , Sarnelli, Bom Dia!

Notícia que saiu hoje (27.12.2012 ) no site da Tribuna da Bahia na coluna de Valdemir Santana.
Abraços

 O mistério das esculturas 

Vai ter solução apoteótica e glamurosa, um enorme mistério que envolve esculturas do artista venosino Pasquale di Chirico, em Salvador. Ele é o escultor que mudou a estética da cidade espalhando esculturas sensacionais em mármore de Carrara, nos lugares mais bonitos de Salvador. Fez entre outras a fabulosa escultura “Cristo Redentor” da Barra, criada dez anos antes do Rio de Janeiro adotar imagem semelhante para ser símbolo da cidade. 
Quanto ao mistério, são esculturas de Di Chirico que ficam no topo de um prédio na Rua do Tesouro, centro de Salvador, e que não aparecem na relação de obras que o artista italiano criou no inicio do século XX. Para solucionar, e apresentar as obras em grande estilo, José Carlos Capinam convidou, entre outros artistas, José Antonio Cunha, que é nada menos do que o criativo J. Cunha, para criar uma peça metálica ligando o “Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira”, ao prédio onde estão as esculturas.
É um golpe de mestre que além de resolver o mistério da apresentação das peças de Di Chirico, também projeta a importância do Muncab no resgate da estética do centro de Salvador. Com sua fachada em estilo eclético, o museu estabelece dialogo com outros prédios de linguagem semelhante, como o Palácio Rio Branco. E o trabalho de J. Cunha e outros artistas se destaca criando uma verdadeira praça de eventos no local.



sábado, 28 de janeiro de 2012

Artes plásticas no Rio Vermelho

A imagem , exposta em frente ao seu ateliê , que fica bem em frente a Igreja de N.Sra de Santana , é de uma obra concebida e executada pelo artista plástico Leonel Mattos .
Me encantou o profusão de cores e elegância da peça. Mais um artista que enriquece o Rio Vermelho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Comentário do Sr. Ascléppios sobre o escultor Pasquale De Chirico

Ascléppios deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pasquale De Chirico":

Realmente Sr. Sarnelli,

Pasquale De Chirico foi e é um dos maiores escultores com profissão estabelecida aqui na Bahia,
senão o maior deles, haja vista sua obra notável e pública espalhada pelos 4 cantos da Bahia, de Salvador, e em caráter especialíssimo:

1-) A estátua do Barão do Rio Branco, inaugurada na Praça de São Pedro em 1919;

2-) A estátua de Jesus Salvador, que está localizada no morro do Ypiranga e que foi inaugurada em 1920 (é mais antiga que o Cristo Redentor do Rio de Janeiro);

3-) O busto do General Labatut, de 1923;

4-) A estátua à Castro Alves, um dos mais conhecidos cartões postais da cidade de Salvador, do Brasil e do Mundo, o Poeta dos Escravos, inaugurada em 1924;

5-) O monumento a Almeida Couto, inaugurado em 1924; o conjunto em homenagem ao Barão de Macaúbas, também de 1924;

E por aí vai...
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Meu comentário :
eu acrescentaria à esta pequena lista o monumento ao Visconde de Cayrú , motivo da vinda da família Sarnelli para o Brasil: há outras obras , como o busto de D.Pedro Fernando Sardinha , que está na Praça da Sé e não podemos nos esquecer que o motivo da vinda dele para Salvador foram  todos os trabalhos realizados na antiga Escola de Medicina da Bahia, que ainda existem, mas a incúria deixou que obras de tamanho valor, que retratam figuras históricas da medicina , se deteriorassem , mas ainda dá para se ver alguma coisa...

Amigo, a relação é maior ainda . Estou pensando até em colocá-la no ar na minha volta da viagem que iniciarei na próxima terça feira, dia 6/12. Muito obrigado pelo seu pronunciamento, algo que me encheu de orgulho , eu que há tempos venho promovendo um levantamento dos trabalhos do baixinho que espalhou arte por toda Salvador durante exatos 40 anos...

No entanto, temos a lamentar o pouco cuidado ou quase nenhum que os responsáveis dedicam a um patrimônio artístico de tal grandeza !

Sim, Pasquale merece ser lembrado e nunca esquecido , embora tenha sido maltratado  !                    
Sarnelli pai ( neto )

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O tigre


Fundido em bronze, de autoria de P.De Chirico . Um dos pequenos trabalhos a que se dedicava nas horas vagas, para relaxar...
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domingo, 20 de novembro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A morte de Pasquale, contada pelo neto...

 
A morte de Pasquale !
Era o dia 30 de março de 1943 ...

Eu me vestira , andado a distância necessária para, da atual rua Pedra da Sereia, chegar ao ponto do bonde em frente ao armazém do espanhol , amigo de família, Apolinário Escariz e seguir para o Colégio Antonio Vieira .
O velho Pasquale ficara em casa . Isso, ele costumava fazer comumente. Colocava um par de tênis, e ia nadar um pouco na prainha em frente à sua residência . Os tênis , eram necessários porque o piso da prainha era pedregoso e cheio de limo , mas era segura , quase uma piscina. Falo dos da época , que nós dávamos uma lavada e depois, com uma velha escova de dentes, passávamos uma mistura de água e alvaiade e pronto , e não dos altamente sofisticados de hoje . Cara nova para os tênis de pobres , baratinhos , baratinhos...
Depois do banho revigorante , pelo qual era apaixonado, sempre ao nascer do dia , consumia os dias à sua maneira . Ou ficava em casa desenhando no seu ateliê ou , se estivesse inspirado , se preparava, pegava um bonde e ia para o seu outro ateliê de trabalho onde fazia as peças mais pesadas, para esculpir em argila, que é o primeiro passo até que ela seja fundida em bronze. Quero dizer, no ateliê da antiga Rua do Tijolo , já na Baixa dos Sapateiros , onde trabalhava as de maior porte . Ele sempre se movimentava em função do sol e do comportamento dos dias. Procurava aproveitar os horários mais frescos , fugindo do sol e do calor.
Pois bem, naquele dia , 30 de março de 1943, eu saí para o colégio , assisti as minhas aulas e voltei , claro que de bonde, para casa como de costume. Do portão mesmo, dei o berro de sempre anunciando a minha chegada . Nada de resposta ! Entrei para encontrar o meu pai Alberto , e minha mãe Emilia, desesperados com o falecimento do velho que jazia sobre a sua própria cama... assim, de repente, pois ele acordara bem, havia tomado o seu banho de mar, feito a sua refeição matinal e fora colher algumas flores e olhos de pés de abóbora que cresciam num barranco perto de casa , na descida para a praia. Uma dor súbita no peito , fez com que ele interrompesse a colheita, fosse para o quarto e se deitasse para nunca mais levantar... Aconteceu no entorno das 10 horas da manhã !
O desaparecimento de Pasquale, de forma inesperada , provocou uma enorme comoção no meio artístico e social da cidade. Me mandaram buscar o Frei Ângelo, um capuchinho do Convento da Piedade , do qual era muito amigo , e ele não acreditou no que lhe disse. Ele insistia que quem morrera tinha sido o meu pai , vítima recente de um derrame cerebral e só acreditou quando viu o seu amigo Pasquale , estendido na cama ...
No atestado de óbito , foi dada como a causa da sua morte o que chamavam de “ colapso cardíaco” . Na época, para esses tipos de dores havia um remédio chamado Coristina , que nada mais era que uma droga qualquer e que se administrava colocando algumas gotas em um copo com agua e açúcar...!!!!!!
Hoje, é claro que nós sabemos que foi um enfarto. A medicina não era como a de hoje que você pode fazer a prevenção de certas doenças e o curioso foi que , na véspera do fato, ele havia se consultado com o seu médico particular, Dr. Hélio Simões , que terminou a visita de avaliação , dando um tapinha do ombro do velho , àquela altura com 70 anos e dizendo: professor, você vai viver 100 anos. Que boca ! Pasquale faleceu no dia seguinte, menos de 24 horas depois de o Dr Hélio Simões, Digno Professor da Escola de Medicina da Bahia, lhe haver garantido mais 30 anos de vida...!
Passados os primeiros dias e momento , os intelectuais e artistas resolveram que era preciso prestar uma homenagem à Pasquale, pelo menos com a colocação de um seu busto em local apropriado. Mas era necessária a grana , porque “ entre o dizer e o fazer, há no meio um oceâno “... Então, fizeram a proposta à família. Uma exposição , que aconteceu no prédio da antiga Biblioteca Pública da Bahia, um lindo prédio que foi derrubado e deu espaço para a Prefeitura de hoje na praça Tomé de Souza , aquele monstrengo que não combina de espécie alguma com o ambiente . A família disponibilizou , envaidecida, todos os quadros que tinha em seu poder para a exposição e venda. O produto da arrecadação deveria garantir a homenagem, curiosamente, com o custo coberto pelo próprio homenageado . Mas o fato foi que não aconteceu nada. O dinheiro arrecadado simplesmente volatizou-se, não apareceu um responsável até hoje, e claro, isso passou a ser apenas uma história a mais a ser contada...
A Família acabou ficando com as peças remanescentes , que, logicamente, foram as que menor interesse despertaram no público comprador , mas, mesmo assim, são todas elas obras primas porque Pasquale De Chirico, além de Professor da Escola de Belas Artes, era exímio desenhista que dominava e brincava com as luzes e as sombras, e escultor que trabalhava com o coração. Ainda me lembro do jeito como que ele olhava , como estudava os traços, como movimentava a cabeça para ter uma visão diferente, enfim para verificar se causavam os efeitos que queria dar... Se aproximava, também se afastava das peças , estudando detalhe por detalhe .
Assim, a arte , na Bahia, teve dois períodos : O de Pasquale De Chirico , que levou consigo a arte clássica , e a que veio depois dele.
Bartolo Sarnelli
04 de outubro de 2.011.








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