sábado, 28 de janeiro de 2012

Artes plásticas no Rio Vermelho

A imagem , exposta em frente ao seu ateliê , que fica bem em frente a Igreja de N.Sra de Santana , é de uma obra concebida e executada pelo artista plástico Leonel Mattos .
Me encantou o profusão de cores e elegância da peça. Mais um artista que enriquece o Rio Vermelho.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Comentário do Sr. Ascléppios sobre o escultor Pasquale De Chirico

Ascléppios deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pasquale De Chirico":

Realmente Sr. Sarnelli,

Pasquale De Chirico foi e é um dos maiores escultores com profissão estabelecida aqui na Bahia,
senão o maior deles, haja vista sua obra notável e pública espalhada pelos 4 cantos da Bahia, de Salvador, e em caráter especialíssimo:

1-) A estátua do Barão do Rio Branco, inaugurada na Praça de São Pedro em 1919;

2-) A estátua de Jesus Salvador, que está localizada no morro do Ypiranga e que foi inaugurada em 1920 (é mais antiga que o Cristo Redentor do Rio de Janeiro);

3-) O busto do General Labatut, de 1923;

4-) A estátua à Castro Alves, um dos mais conhecidos cartões postais da cidade de Salvador, do Brasil e do Mundo, o Poeta dos Escravos, inaugurada em 1924;

5-) O monumento a Almeida Couto, inaugurado em 1924; o conjunto em homenagem ao Barão de Macaúbas, também de 1924;

E por aí vai...
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Meu comentário :
eu acrescentaria à esta pequena lista o monumento ao Visconde de Cayrú , motivo da vinda da família Sarnelli para o Brasil: há outras obras , como o busto de D.Pedro Fernando Sardinha , que está na Praça da Sé e não podemos nos esquecer que o motivo da vinda dele para Salvador foram  todos os trabalhos realizados na antiga Escola de Medicina da Bahia, que ainda existem, mas a incúria deixou que obras de tamanho valor, que retratam figuras históricas da medicina , se deteriorassem , mas ainda dá para se ver alguma coisa...

Amigo, a relação é maior ainda . Estou pensando até em colocá-la no ar na minha volta da viagem que iniciarei na próxima terça feira, dia 6/12. Muito obrigado pelo seu pronunciamento, algo que me encheu de orgulho , eu que há tempos venho promovendo um levantamento dos trabalhos do baixinho que espalhou arte por toda Salvador durante exatos 40 anos...

No entanto, temos a lamentar o pouco cuidado ou quase nenhum que os responsáveis dedicam a um patrimônio artístico de tal grandeza !

Sim, Pasquale merece ser lembrado e nunca esquecido , embora tenha sido maltratado  !                    
Sarnelli pai ( neto )

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O tigre


Fundido em bronze, de autoria de P.De Chirico . Um dos pequenos trabalhos a que se dedicava nas horas vagas, para relaxar...
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domingo, 20 de novembro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A morte de Pasquale, contada pelo neto...

 
A morte de Pasquale !
Era o dia 30 de março de 1943 ...

Eu me vestira , andado a distância necessária para, da atual rua Pedra da Sereia, chegar ao ponto do bonde em frente ao armazém do espanhol , amigo de família, Apolinário Escariz e seguir para o Colégio Antonio Vieira .
O velho Pasquale ficara em casa . Isso, ele costumava fazer comumente. Colocava um par de tênis, e ia nadar um pouco na prainha em frente à sua residência . Os tênis , eram necessários porque o piso da prainha era pedregoso e cheio de limo , mas era segura , quase uma piscina. Falo dos da época , que nós dávamos uma lavada e depois, com uma velha escova de dentes, passávamos uma mistura de água e alvaiade e pronto , e não dos altamente sofisticados de hoje . Cara nova para os tênis de pobres , baratinhos , baratinhos...
Depois do banho revigorante , pelo qual era apaixonado, sempre ao nascer do dia , consumia os dias à sua maneira . Ou ficava em casa desenhando no seu ateliê ou , se estivesse inspirado , se preparava, pegava um bonde e ia para o seu outro ateliê de trabalho onde fazia as peças mais pesadas, para esculpir em argila, que é o primeiro passo até que ela seja fundida em bronze. Quero dizer, no ateliê da antiga Rua do Tijolo , já na Baixa dos Sapateiros , onde trabalhava as de maior porte . Ele sempre se movimentava em função do sol e do comportamento dos dias. Procurava aproveitar os horários mais frescos , fugindo do sol e do calor.
Pois bem, naquele dia , 30 de março de 1943, eu saí para o colégio , assisti as minhas aulas e voltei , claro que de bonde, para casa como de costume. Do portão mesmo, dei o berro de sempre anunciando a minha chegada . Nada de resposta ! Entrei para encontrar o meu pai Alberto , e minha mãe Emilia, desesperados com o falecimento do velho que jazia sobre a sua própria cama... assim, de repente, pois ele acordara bem, havia tomado o seu banho de mar, feito a sua refeição matinal e fora colher algumas flores e olhos de pés de abóbora que cresciam num barranco perto de casa , na descida para a praia. Uma dor súbita no peito , fez com que ele interrompesse a colheita, fosse para o quarto e se deitasse para nunca mais levantar... Aconteceu no entorno das 10 horas da manhã !
O desaparecimento de Pasquale, de forma inesperada , provocou uma enorme comoção no meio artístico e social da cidade. Me mandaram buscar o Frei Ângelo, um capuchinho do Convento da Piedade , do qual era muito amigo , e ele não acreditou no que lhe disse. Ele insistia que quem morrera tinha sido o meu pai , vítima recente de um derrame cerebral e só acreditou quando viu o seu amigo Pasquale , estendido na cama ...
No atestado de óbito , foi dada como a causa da sua morte o que chamavam de “ colapso cardíaco” . Na época, para esses tipos de dores havia um remédio chamado Coristina , que nada mais era que uma droga qualquer e que se administrava colocando algumas gotas em um copo com agua e açúcar...!!!!!!
Hoje, é claro que nós sabemos que foi um enfarto. A medicina não era como a de hoje que você pode fazer a prevenção de certas doenças e o curioso foi que , na véspera do fato, ele havia se consultado com o seu médico particular, Dr. Hélio Simões , que terminou a visita de avaliação , dando um tapinha do ombro do velho , àquela altura com 70 anos e dizendo: professor, você vai viver 100 anos. Que boca ! Pasquale faleceu no dia seguinte, menos de 24 horas depois de o Dr Hélio Simões, Digno Professor da Escola de Medicina da Bahia, lhe haver garantido mais 30 anos de vida...!
Passados os primeiros dias e momento , os intelectuais e artistas resolveram que era preciso prestar uma homenagem à Pasquale, pelo menos com a colocação de um seu busto em local apropriado. Mas era necessária a grana , porque “ entre o dizer e o fazer, há no meio um oceâno “... Então, fizeram a proposta à família. Uma exposição , que aconteceu no prédio da antiga Biblioteca Pública da Bahia, um lindo prédio que foi derrubado e deu espaço para a Prefeitura de hoje na praça Tomé de Souza , aquele monstrengo que não combina de espécie alguma com o ambiente . A família disponibilizou , envaidecida, todos os quadros que tinha em seu poder para a exposição e venda. O produto da arrecadação deveria garantir a homenagem, curiosamente, com o custo coberto pelo próprio homenageado . Mas o fato foi que não aconteceu nada. O dinheiro arrecadado simplesmente volatizou-se, não apareceu um responsável até hoje, e claro, isso passou a ser apenas uma história a mais a ser contada...
A Família acabou ficando com as peças remanescentes , que, logicamente, foram as que menor interesse despertaram no público comprador , mas, mesmo assim, são todas elas obras primas porque Pasquale De Chirico, além de Professor da Escola de Belas Artes, era exímio desenhista que dominava e brincava com as luzes e as sombras, e escultor que trabalhava com o coração. Ainda me lembro do jeito como que ele olhava , como estudava os traços, como movimentava a cabeça para ter uma visão diferente, enfim para verificar se causavam os efeitos que queria dar... Se aproximava, também se afastava das peças , estudando detalhe por detalhe .
Assim, a arte , na Bahia, teve dois períodos : O de Pasquale De Chirico , que levou consigo a arte clássica , e a que veio depois dele.
Bartolo Sarnelli
04 de outubro de 2.011.








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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pasquale De Chirico Escultor e morador pioneiro no Rio Vermelho



O pioneirismo de Pasquale - Casa construída no meio do nada !
O bairro do Rio Vermelho, com toda a sua história , é mesmo nacional e mundialmente famoso e já foi descrito dezenas de vezes por pessoas interessadas e que contam a sua história. Entre outras características, sempre é citada a Festa de Yemanjá , outros eventos , a vida boêmia que acontece todas as noites , aquela de que o pedaço é o bairro dos artistas e os moradores notáveis e importantes são citados um a um , concentrando nomes importantes da história das artes na Bahia, no Rio Vermelho ! No entanto, uma grande injustiça tem sido praticada através dos tempos por todos os escritores e ou pesquisadores , que nunca, mas nunca mesmo, deram de cara com o nome de Pasquale De Chirico , que foi , efetivamente . o pimeiro dos grandes artitas a se instalar no Rio Vermelho, onde hoje é a Rua Pedra da Sereia , quando a av. Getúlio Vargas ainda estava sendo construída ( hoje Oceânica ) quase na divisa do Rio Vermelho com Ondina. Como descendente de Pasquale , sou seu neto e vivo desde os meus primeiros dias no Rio Vermelho, acho que precisamos , por uma questão de justiça, corrigir esta omissão na história do bairro . A foto que ilustra esta nota, tirada, quase que com certeza , na década de 30 (1.930) , do alto do morro de Ondina , mostra a casa de Pasquale isolada no meio de um imenso terreno com mais nada por perto , atestando que ele foi pioneiro no bairro..
.Agora, me acho na obrigação de dizer algo sobre o meu avô Paquale, que foi o maior escultor que já pisou em terras baianas. Italiano, chegou ao Brasil com 20 anos, em Salvador por volta de 1903 , foi professor da Escola de Belas Artes da Bahia e faleceu em 30 de março de 1943, deixando, após 40 anos de trabalhos, obras que vemos todos dias ao vagar pelas ruas da cidade, como o monumento a D.Pedro II , no Jardim de Nazareth, a estátua de Castro Alves na praça do mesmo nome , a figura de Tomé de Souza, o monumento ao Visconde de Cayru , aquele ao Barão do Rio Branco e muitos outros . Foi o artista que mais implantou monumentos na cidade. Claro que ganhou pelo seu trabalho. Vivia disso , mas morreu pobre porque, naquele época, a arte não dava tanta grana... Deixou muitos seguidores . Finalizando, não posso deixar de assinalar que aquele Christo que todos nós vemos quando passamos pela orla, implantado , hoje , no cocoruto do morro Ipiranga, também é obra dele , esculpido em mármore de Carrara na Italia, e inaugurado no morro onde hoje funciona a Prefeitura da Aeronáutica, em 24 de dezembro de 1920 , na presença de todas as autoridades e sociedade baiana. Depois , foi transferido do local original para a atual posição , por força de detonações de dinamite na exploração de uma pedreira existente na base do morro e, provavelmente porque a área também se tornou espaço militar.